A operação que levou ao afastamento do vereador Thiago Tezzari de suas funções na Câmara Municipal de Porto Velho e o envolveu em um grande esquema de rachadinhas está completando um ano.
O vereador é um dos principais aliados do atual candidato ao Governo, Adailton Fúria. Na gestão de Cacoal, Tezzari assumiu cargos importantes no primeiro escalão. Em Porto Velho é um dos grandes entusiastas de Fúria.
Draco
As medidas contra Tezzari tiveram origem em decisão da 2ª Vara de Garantias do Tribunal de Justiça de Rondônia em 30 de setembro de 2025, que autorizou buscas, quebras dos sigilos bancário, fiscal e telemático e afastamento de servidores públicos por 30 dias dentro de uma investigação policial da 2ª Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO)
A representação da Polícia apontava que Tezzari teria comandado, a partir do próprio gabinete parlamentar, uma estrutura em que assessores repassariam sistematicamente parte de seus vencimentos ao vereador ou a terceiros indicados por ele. Os valores circulavam por depósitos, transferências eletrônicas e entregas em dinheiro.
A Polícia também afirmava que pessoas físicas e empresas seriam utilizadas para pulverizar as movimentações e dificultar a identificação da origem e do destino do dinheiro. Na época, eram investigados, em tese, crimes de peculato, concussão, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A justiça considerou existentes indícios suficientes para permitir o aprofundamento das apurações.
Pagamentos mensais e promessa após campanha
Um dos depoimentos reproduzidos na decisão descreveu uma negociação política anterior ao mandato. Uma pessoa ouvida pela Polícia afirmou que havia auxiliado Tezzari em campanha e que, em contrapartida, teria recebido promessa de nomeação no gabinete com remuneração equivalente a quatro salários-mínimos, além da possibilidade de indicar três cargos comissionados com vencimentos aproximados de R$ 3 mil cada.
Segundo o relato, a nomeação não ocorreu e Tezzari teria proposto pagamentos mensais de R$ 5 mil, sem vínculo formal com a Câmara. Em janeiro de 2025, o depoente afirmou ter recebido R$ 3,5 mil por meio de uma empresa do setor de serviços e segurança. A Polícia também verificou o endereço indicado como sede dessa empresa e encontrou apenas um terreno baldio, sem sinais de funcionamento de atividade empresarial no local.
O mesmo depoente relatou posteriormente outras duas transferências, nos valores de R$ 411 e R$ 1,1 mil, realizadas por uma assessora parlamentar. Segundo a investigação, ela seria responsável por devolver parte dos próprios vencimentos mediante transferências para terceiros e por pagamentos destinados a obrigações atribuídas ao vereador. (pág. 5)
Assessores e terceiros na rota dos valores
A investigação apontava ainda que um assessor ocupante de cargo comissionado seria utilizado tanto para devolver valores como para atuar como possível intermediário na movimentação do dinheiro. Outro assessor, descrito como pessoa de confiança de Tezzari, teria a função de recolher parte dos vencimentos de servidores e fazer pagamentos por PIX ou entregar dinheiro em espécie a pessoas indicadas pelo vereador.
A estrutura descrita pela Polícia não se limitaria aos servidores do gabinete. A decisão registra movimentações envolvendo terceiros e pessoas jurídicas de diferentes segmentos, entre eles consultoria empresarial, comércio e distribuição de bebidas, associação cultural e desportiva, serviços e segurança, prestação de serviços, licitações e comércio de moda.
Uma das empresas do setor de prestação de serviços era proprietária de uma Ford Ranger, ano 2024/2025, que, segundo a investigação, era regularmente utilizada por Tezzari. A Polícia também apontou o vínculo de outro investigado com empresa sem sede localizada no endereço declarado.
Transferência de R$ 2,8 mil
A decisão registra ainda uma transferência de R$ 2,8 mil feita a um dos depoentes. Segundo o relato apresentado à Polícia, o valor originalmente destinado seria de R$ 3,5 mil, mas a pessoa responsável pela transferência teria informado que reteve R$ 500. A investigação interpretou a operação como parte da cadeia de pagamentos paralelos que buscava apurar.
Justiça apontou Tezzari no centro do esquema investigado
Ao autorizar o afastamento de sigilos, a Justiça registrou que havia fundados indícios de participação dos investigados e colocou Thiago Tezzari no centro da estrutura descrita pela Polícia. A decisão aponta que assessores teriam realizado repasses regulares e fracionados, direta ou indiretamente, em favor do vereador ou de pessoas indicadas por ele.
Na análise sobre o afastamento das funções públicas, a decisão afirmou que havia indícios de que Tezzari teria utilizado o cargo para comandar repasses de verbas públicas a terceiros sem vínculo com a Câmara. Também considerou demonstrados, naquele estágio da investigação, a influência e o papel de liderança atribuídos ao vereador no suposto esquema.
Buscas chegaram ao gabinete na Câmara
A determinação judicial autorizou buscas pessoais, domiciliares, veiculares e em locais de trabalho. Na Câmara Municipal, a ordem ficou restrita ao gabinete de Thiago Tezzari e anexos vinculados ao parlamentar ou ao gabinete.
Seis servidores afastados
Ao final, a Justiça determinou o afastamento de 6 servidores públicos, entre eles Thiago Tezzari, pelo período de 30 dias.
A decisão também mandou requisitar informações sobre eventuais movimentações de rebanho, vacinações e compra e venda de bovinos envolvendo pessoas físicas relacionadas à investigação, entre 1º de janeiro de 2023 e 25 de setembro de 2025.
O Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou a manutenção de 80% do efetivo de trabalhadores dos Correios durante a greve da categoria.
A decisão foi proferida no último sábado (12) pelo presidente do TST, ministro Vieira de Mello Filho, após a estatal recorrer ao tribunal para garantir o funcionamento mínimo da empresa, que considera a greve abusiva.
O presidente entendeu que o serviço prestado pelos Correios é essencial e que a greve pode impactar nas eleições.
“A atividade essencial desenvolvida pela suscitante se agiganta em face dos compromissos assumidos com entes públicos e privados relacionados ao pleito eleitoral de 2026, cujo período de campanha encontra-se em curso, o que agrava os impactos à sociedade do movimento paredista”, afirmou o ministro.
Os trabalhadores dos Correios entraram em greve na quinta-feira (10) e buscam a aprovação do acordo coletivo de trabalho 2025/2026. Os sindicatos da categoria contestam o modelo de restruturação da estatal, que prevê o fechamento de agências, redução de distritos postais. A categoria também afirma que não pode ser responsabilizada pela crise financeira da estatal.
Campanha salarial
O movimento grevista teve início na última quinta-feira (10). Segundo a Federação dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos e das Empresas de Comunicações (Findect), a deflagração aconteceu após as negociações da campanha salarial deste ano terminarem sem acordo.
Segundo a federação, a categoria buscou uma solução negociada, mas a empresa manteve sua posição em um tema considerado fundamental pelos trabalhadores. Um dos principais pontos do impasse é o plano de saúde, para os trabalhadores, aposentados e suas famílias.
Entregas
Em nota à imprensa, os Correios informaram que acionaram um plano de continuidade de negócios para reduzir os impactos da greve.
“Entre as medidas adotadas estão a mobilização de empregados administrativos para apoio às atividades operacionais, o remanejamento de veículos e a realização de mutirões para preservar o fluxo logístico”, informou a estatal.
O Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO) manteve nesta segunda-feira (14), por unanimidade, o indeferimento do registro da candidatura de Ezequiel Neiva (PL) a deputado federal. É a segunda decisão desfavorável ao candidato no Tribunal, a 20 dias do primeiro turno das eleições.
O registro havia sido negado na última semana. A defesa apresentou embargos na tentativa de modificar a decisão e conseguir o deferimento da candidatura, mas não obteve sucesso.
A nova decisão ocorre no último dia previsto no Calendário Eleitoral para partidos e federações requererem a substituição de candidatos, salvo na hipótese legal de falecimento. Com isso, o PL chega ao fim do prazo tendo de decidir entre substituir Neiva ou manter a candidatura e tentar reverter o indeferimento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A manutenção do candidato na disputa também pode ter reflexos no desempenho eleitoral da legenda. Enquanto o registro permanecer indeferido sob recurso, os votos eventualmente recebidos por Isequiel serão considerados inicialmente “anulados sub judice” e não entrarão no cálculo das vagas conquistadas pelo PL.
A validade desses votos dependerá do resultado definitivo da disputa judicial. Se o TSE mantiver o indeferimento, eles serão anulados definitivamente. Caso a decisão seja revertida, a situação poderá ser recalculada.