A Assembleia Legislativa de Rondônia aprovou, em sessão extraordinária presidida pelo deputado Marcelo Cruz (Avante), o Projeto de Lei nº 1.477/2026, encaminhado pelo Governo do Estado para autorizar a venda de direitos sobre créditos tributários e não tributários pertencentes a Rondônia.
A votação ocorreu sob críticas de parlamentares que cobraram mais tempo para analisar a matéria e questionaram a tramitação acelerada. Entre eles estavam os deputados Delegado Rodrigo Camargo (Podemos), Ieda Chaves (União Brasil) e Jesuíno Boabaid (PSD), que também pediu explicações sobre o conteúdo e os efeitos do projeto.
Ieda Chaves criticou o fato de a proposta ter sido levada diretamente ao plenário, sem passar pelas comissões permanentes da Casa.
“Como a gente aprova um projeto sem passar em comissão, sem tempo hábil para analisar? Aumentei o tom com o deputado Marcelo, mas não adiantou”, afirmou a parlamentar.
Apesar dos pedidos de esclarecimento e de uma análise mais detalhada, o projeto foi aprovado. Durante a sessão, o deputado Jean Oliveira fez uma defesa enfática da proposta.
Projeto permite antecipação de receitas
A nova legislação autoriza o Governo de Rondônia a transferir a investidores o direito econômico sobre valores que o Estado ainda tem a receber. Entre eles estão impostos atrasados, multas administrativas, parcelamentos, ressarcimentos ao erário, indenizações e outros créditos líquidos e exigíveis.
Na prática, o Estado poderá receber antecipadamente parte dessas receitas, enquanto os compradores dos créditos assumirão o direito aos valores recuperados posteriormente.
A dívida continuará sendo cobrada pelo poder público. O contribuinte permanecerá devendo ao Estado, e a Procuradoria-Geral do Estado continuará responsável pelas cobranças administrativa e judicial.
O texto afirma que a cessão não extingue nem altera as obrigações dos devedores. Também proíbe que o Estado ofereça garantias, assuma a inadimplência ou recompre os créditos transferidos.
Recursos poderão financiar obras, saúde e previdência
O projeto cria o Fundo Estadual de Créditos Inadimplidos e Dívida Ativa, o Fecidat/RO, que ficará vinculado à Secretaria de Estado de Finanças.
Os recursos obtidos poderão ser destinados a investimentos em infraestrutura, saúde pública, educação, segurança, inovação tecnológica e regularização fundiária.
O dinheiro também poderá ser utilizado para amortizar dívidas do Poder Executivo com o regime próprio de previdência dos servidores, capitalizar o sistema previdenciário e formar fundos garantidores de parcerias público-privadas.
Na justificativa enviada à Assembleia, o governador Marcos Rocha afirma que ao menos 50% dos valores arrecadados deverão ser destinados ao regime próprio de previdência social, conforme determina a legislação federal. O restante poderá ser aplicado em investimentos públicos.
O Governo sustenta que o modelo permitirá transformar créditos de baixa liquidez em recursos imediatos, sem aumento de impostos e sem caracterizar formalmente uma operação de empréstimo.
Estado criará empresa com participação privada
A proposta também autoriza a constituição de uma sociedade de economia mista, organizada como sociedade por ações, para adquirir, administrar e estruturar as operações envolvendo os créditos públicos.
O Estado deverá manter pelo menos 80% do capital votante da empresa. Os outros 20% poderão ficar sob controle de investidores privados.
A companhia poderá contratar instituições financeiras, fundos de investimento, securitizadoras e empresas especializadas. Entretanto, ficará proibida de atuar como banco, captar depósitos, conceder empréstimos, prestar garantias em nome do Estado ou criar obrigações futuras para o Tesouro.
Conselho será formado por representantes do governo
O Fecidat será administrado por um Conselho Gestor composto por representantes da Governadoria, Casa Civil, Sefin, Secretaria de Planejamento, Controladoria-Geral do Estado e Instituto de Previdência dos Servidores Públicos.
Parte dos integrantes deverá possuir certificação profissional CPA-20, ligada ao mercado financeiro.
A lei prevê ainda a divulgação das operações em um portal específico, auditorias periódicas da Controladoria-Geral do Estado e acesso do Tribunal de Contas à documentação.
Texto limita responsabilização de procuradores
Um dos trechos mais sensíveis estabelece que os procuradores do Estado somente poderão ser responsabilizados civil ou administrativamente quando agirem com dolo ou fraude para obtenção de vantagem indevida.
O dispositivo acrescenta expressamente que os procuradores não responderão por “erro grosseiro”, reduzindo as possibilidades de responsabilização dos agentes envolvidos na análise jurídica das operações.
Com a aprovação pela Assembleia, a matéria segue para sanção do governador. Após a publicação, o Poder Executivo terá até 90 dias para regulamentar a nova lei.
O vereador de Porto Velho Antônio Marcos Mourão Figueiredo, o Marcos Combate, foi condenado pelos crimes de calúnia, difamação e injúria contra o jornalista Paulo Rogério da Costa Andreoli. A sentença foi proferida nesta quarta-feira (29) pelo juiz Aureo Virgilio Queiroz, da 3ª Vara Criminal de Porto Velho.
A pena foi fixada em dois anos e seis meses de detenção, em regime inicialmente aberto, além do pagamento de 20 dias-multa e das custas processuais.
A prisão foi substituída por duas penas restritivas de direitos: prestação de serviços à comunidade durante o período da condenação e proibição de frequentar bares, boates e outros estabelecimentos que comercializem bebidas alcoólicas, entre as 22 horas e as 6 horas.
O vereador vai recorrer .
Declarações foram feitas na tribuna
A ação penal teve origem em declarações feitas por Marcos Combate durante sessão da Câmara Municipal de Porto Velho. As manifestações foram transmitidas pelo canal oficial da Casa no YouTube e divulgadas nas redes sociais.
Segundo a sentença, o vereador acusou Paulo Andreoli de práticas que poderiam ser enquadradas como extorsão, estelionato e ameaça. Entre as declarações analisadas, o vereador afirmou que o jornalista cobraria valores para retirar matérias do ar e que manteria funcionários de seu veículo de comunicação nomeados em órgãos públicos.
O vereador também declarou que Andreoli teria enganado e ameaçado um empresário, além de utilizar seu portal de notícias para prejudicar a reputação de pessoas e obter benefícios políticos.
Para o magistrado, as declarações foram feitas de forma categórica e sem a apresentação de elementos que comprovassem as acusações.
“A crítica política é amplamente admitida em um regime democrático”, registrou o juiz. Entretanto, segundo a decisão, essa liberdade não pode ser confundida com a atribuição pública de crimes ou de fatos ofensivos à reputação de terceiros sem qualquer fundamento probatório.
Imunidade parlamentar foi afastada
Em sua defesa, Marcos Combate disse que as declarações ocorreram durante o exercício do mandato e estavam relacionadas à fiscalização do uso de recursos públicos destinados à publicidade.
O vereador também negou ter acusado diretamente o jornalista de extorsão e alegou que não existiriam provas técnicas suficientes para confirmar a autenticidade dos vídeos e das transcrições apresentadas no processo.
A defesa invocou ainda a imunidade parlamentar material, garantia constitucional que protege vereadores por opiniões, palavras e votos relacionados ao exercício do mandato dentro do município.
O argumento foi rejeitado. Para o juiz, as manifestações ultrapassaram os limites do debate político e assumiram caráter de ataque pessoal, sem relação direta com uma investigação parlamentar formal ou com atividade fiscalizatória devidamente demonstrada.
“A imunidade parlamentar assegura liberdade para o exercício do mandato, mas não serve como escudo para o cometimento de crimes”, afirmou o magistrado na sentença.
O Ministério Público de Rondônia, que participou da ação como fiscal da ordem jurídica, manifestou-se favoravelmente à condenação. Para o MP, os vídeos, as transcrições e os demais documentos comprovaram a autoria e o conteúdo das declarações.
Divulgação nas redes aumentou as penas
O juiz aplicou causas de aumento porque as declarações foram feitas diante de várias pessoas, durante sessão da Câmara, e difundidas por meio do YouTube e do Instagram.
De acordo com a sentença, a divulgação pelas redes sociais ampliou significativamente o alcance das ofensas e potencializou seus efeitos sobre a imagem e a reputação do jornalista.
O magistrado considerou que os crimes de calúnia, difamação e injúria decorreram de condutas autônomas, embora praticadas durante a mesma manifestação parlamentar. Por isso, somou as penas correspondentes aos três delitos.
Indenização e medidas cautelares foram negadas
Apesar da condenação criminal, o juiz rejeitou o pedido de fixação de um valor mínimo para reparação dos danos morais. Conforme a sentença, a indenização somente foi solicitada nas alegações finais e não constou da queixa-crime inicial, o que impediria a defesa de se manifestar adequadamente sobre o pedido durante o processo.
Também foram negadas medidas cautelares contra o vereador. O jornalista relatou que Marcos Combate teria comparecido à sede da empresa acompanhado de um segurança aparentemente armado e realizado gravações.
O magistrado entendeu, no entanto, que não foram apresentados elementos concretos capazes de demonstrar ameaça, intimidação ou risco atual à integridade das partes.
Moradores de Porto Velho podem denunciar casos de descarte irregular de lixo, entulho e outros resíduos sólidos por meio da plataforma PVH+, ferramenta utilizada para fortalecer a fiscalização e identificar responsáveis por esse tipo de prática na cidade.
A Prefeitura orienta que as denúncias sejam feitas sempre que houver descarte de resíduos em vias públicas, áreas verdes, terrenos e outros espaços urbanos. As informações encaminhadas pela população auxiliam na identificação dos responsáveis e na aplicação das sanções previstas na legislação.
No momento do registro, é necessário informar o endereço exato do local, indicar um ponto de referência e, sempre que possível, anexar fotos ou vídeos da situação. Caso seja possível identificar quem realizou o descarte, dados como a placa do veículo utilizado também podem ser informados para contribuir com a apuração. Após o envio da denúncia, o cidadão recebe um número de processo para acompanhar o andamento da solicitação.
O descarte irregular de resíduos provoca impactos que vão além da degradação da paisagem urbana. A prática favorece a proliferação de insetos e outros animais transmissores de doenças, pode obstruir a drenagem das vias e causar danos ao meio ambiente.
Materiais como plásticos, vidros e metais podem permanecer no ambiente por décadas ou até séculos, contaminando o solo, os recursos hídricos e comprometendo os ecossistemas. O acúmulo de lixo também favorece a presença de ratos, mosquitos e outros vetores de doenças, afetando diretamente a saúde da população.
O secretário executivo de Serviços Básicos destacou que a participação da população contribui para agilizar o trabalho de fiscalização, aumentar a eficiência na identificação dos responsáveis e reduzir esse tipo de prática no município.
O prefeito Léo Moraes afirmou que a preservação dos espaços públicos depende da atuação conjunta entre o poder público e a sociedade. Segundo ele, denunciar o descarte irregular representa uma ação de cidadania que ajuda a proteger o meio ambiente, preservar os bairros e melhorar a qualidade de vida da população.
O pecuarista de Ji-Paraná Bruno Bolsonaro Scheid (PL) aparece entre os dois nomes mais votados para o Senado em Rondônia na pesquisa do Instituto Amazônia de Pesquisa sobre as Eleições de 2026. O candidato ocupa a segunda posição tanto no primeiro voto estimulado válido quanto na soma dos percentuais das duas escolhas permitidas ao eleitor.
Na soma do primeiro e do segundo voto válido, Scheid alcança 33,40%. Fernando Máximo (PL) registra 50,27% e aparece na primeira posição. Mariana Carvalho (Republicanos), com 30,79%, e Silvia Cristina (PP), com 30,25%, vêm na sequência.
Confúcio Moura (MDB) totaliza 24,93% na soma das duas escolhas, enquanto Acir Gurgacz (PDT) registra 16,31%. Luís Fernando (PSD) aparece com 10,90%, e Neidinha Suruí (PSB), com 3,15%. O instituto ressalta que a soma de todas as respostas pode ultrapassar 200%, porque duas vagas estarão em disputa para o Senado e cada eleitor poderá indicar dois candidatos.
A coleta quantitativa foi realizada nos 52 municípios de Rondônia.
No recorte do primeiro voto estimulado, considerando somente os votos válidos, Bruno Scheid aparece em segundo lugar, com 20,45%. Fernando Máximo registra 25,21%, enquanto Silvia Cristina alcança 16,44%.
Confúcio Moura e Mariana Carvalho aparecem empatados com 12,96% cada. Acir Gurgacz registra 7,64%, Luís Fernando tem 3,72% e Neidinha Suruí aparece com 0,62%.
Na simulação específica do segundo voto válido, Fernando Máximo registra 25,06%, seguido por Mariana Carvalho, com 17,83%, e Silvia Cristina, com 13,81%. Bruno Scheid aparece com 12,95%.
Confúcio Moura alcança 11,97% no segundo voto, Acir Gurgacz registra 8,67%, Luís Fernando tem 7,18% e Neidinha Suruí aparece com 2,53%.
A pesquisa também avaliou a rejeição dos nomes apresentados para o Senado. Bruno Scheid registra 13,12%, o terceiro maior percentual nominal desse recorte. Confúcio Moura aparece com 20,24%, e Acir Gurgacz, com 13,40%.
Entre os entrevistados, 13,05% não souberam ou não responderam, enquanto 12,60% declararam não rejeitar nenhum candidato. Mariana Carvalho apresenta rejeição de 8,03%, Neidinha Suruí registra 5,79%, Silvia Cristina aparece com 4,50%, Fernando Máximo tem 4,05% e Luís Fernando registra 3%. A rejeição a todos os nomes corresponde a 2,23%.
Governo
Na disputa pelo Governo de Rondônia, Marcos Rogério (PL) aparece com 39,79% dos votos válidos no cenário estimulado de primeiro turno. Adailton Fúria (PSD) registra 28,28%, enquanto Hildon Chaves (União) alcança 15,16%.
Expedito Neto (PT) aparece com 9,63%. Luiz Carlos Teodoro (PSOL) registra 3,21%, Samuel Costa (PSB) tem 2,99% e Pedro Abib (MDB) alcança 0,94%.
Em uma das simulações de segundo turno, Marcos Rogério registra 51,82% contra 36,77% de Adailton Fúria. Os votos brancos ou nulos somam 6,80%, enquanto 4,61% dos entrevistados não souberam ou não responderam.
No confronto entre Marcos Rogério e Hildon Chaves, o candidato do PL aparece com 59,90%, e Hildon registra 26,45%. Os votos brancos ou nulos correspondem a 8,16%, e 5,48% não souberam ou não responderam.
Na rejeição para o Governo do Estado, 25,18% não souberam ou não responderam. Expedito Neto registra 20,12%, seguido por Samuel Costa, com 10,08%, e Marcos Rogério, com 9,54%.
A opção de não rejeitar nenhum candidato alcança 9,02%. Hildon Chaves aparece com 8,06%, Pedro Abib com 6,52%, Luiz Carlos Teodoro com 5,04% e Adailton Fúria com 3,96%. A rejeição a todos corresponde a 2,48%.
Dados técnicos
O levantamento ouviu 2.500 pessoas entre 1 e 9 de julho. A margem de erro é de 2,45%, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada sob o número RO-04350/2026